caminho

É sempre agradável ver a abertura de uma nova estrada, ou a pavimentação e saneamento de nossas ruas, especialmente nas periferias, em atenção às populações com maiores dificuldades. Caminhos novos são portadores de esperança! Nas últimas semanas, acompanhamos a construção da estrada que conduz à futura Fazenda da Esperança, em Mosqueiro. Era lindo ver pontes construídas e a esperança chegando! Recentemente chegaram os postes e todos os equipamentos necessários à instalação da energia elétrica. Não só a Fazenda como também moradores da região serão beneficiados com tudo o que ali se realiza. Os horizontes se abrem para os futuros beneficiários dessa obra que grande significado, justamente para pessoas chagadas por um dos males de nosso tempo, o uso de drogas. Há poucos dias celebrou-se pela primeira vez no local da Fazenda da Esperança a Santa Missa, na primeira das edificações projetadas. Esforços humanos de pessoas e instituições se multiplicam, numa rede de solidariedade e participação que edifica a todos.

A Arquidiocese de Belém realiza neste período preparatório ao Natal o Projeto “Belém, Casa do Pão”, para catalisar, através de todas as Paróquias a imensa onda de boa vontade que a graça de Deus suscita nas pessoas. As Paróquias identificam as pessoas e famílias a serem atingidas, a Cáritas Arquidiocesana “organiza a caridade” e muita gente encontra sua forma de serviço e amor ao próximo de forma inteligente e criativa, segundo o ensinamento do Apóstolo São Paulo: “De fato, quando existe a boa vontade, ela é bem aceita com aquilo que se tem; não se exige o que não se tem. Não se trata de vos pôr em aperto para aliviar os outros. O que se deseja é que haja igualdade: que, nas atuais circunstâncias, a vossa fartura supra a penúria deles e, por outro lado, o que eles têm em abundância complete o que acaso vos falte. Assim, haverá igualdade, como está escrito: Quem recolheu muito não teve de sobra, e quem recolheu pouco não teve falta” (2 Cor 8, 12-15).

O Brasil inteiro realiza, no terceiro domingo do Advento, a Coleta para a Evangelização, com a qual desejamos conscientizar os cristãos católicos para a sua responsabilidade na manutenção das atividades pastorais da Igreja. Cada ano cresce a participação, revelando o caminho de maturidade que é feito em nossas Comunidades.

São apenas três exemplos de caminhos encontrados para a realização do mandamento do amor, ao lado de um leque aberto de tanta caridade vivida, com criatividade e dedicação. É que o Espírito Santo age na Igreja e no coração das pessoas, suscitando gestos e organizações que contribuem para a realização do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, a situação em que se encontra o mundo conduz um número considerável de pessoas a se sentirem num beco sem saída, dada a complexidade dos problemas atuais, tantas vezes geradora até de desespero. É necessário que cada um comece o que lhe é possível!

Faz muito bem encontrar homens e mulheres capazes de propor soluções diferentes para os impasses da vida. Quando a liturgia do Segundo Domingo do Advento apresenta a figura de João Batista, salta aos olhos justamente a coragem de homens e mulheres capazes de evangelizar com ousadia, tomar a frente para a caridade, dialogar sem receio com quem é diferente, construir pontes entre os grupos da sociedade. “Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: Eis que envio à tua frente o meu mensageiro, e ele preparará teu caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele. Assim veio João, batizando no deserto e pregando um batismo de conversão, para o perdão dos pecados. A Judéia inteira e todos os habitantes de Jerusalém saíam ao seu encontro, e eram batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. João se vestia com uma pele de camelo, usava um cinto de couro à cintura e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Ele proclamava: “Depois de mim vem aquele que é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de, abaixando-me, desatar a correia de suas sandálias. Eu vos batizei com água. Ele vos batizará com o Espírito Santo” ( Mc 1, 1-8).

Para preparar os caminhos é necessário saber onde se quer chegar. Quem não tem metas claras e confiáveis terá dificuldades para realizar seus projetos. Quando se busca realmente a realização do plano de Deus, quando o bem comum unifica esforços e os interesses escusos são afastados, as pessoas entendem e se comprometem com as iniciativas tomadas. Ajunte-se a isso a lisura nos métodos de trabalho adotados. Os constantes escândalos na sociedade, expostos à exaustão pelos meios de comunicação revelam o quanto existe de pouca vergonha no trato dos bens da própria sociedade, que no fundo deveriam ser destinados aos mais pobres. Queira Deus aconteça um aprendizado de uma nova forma de ação, com superação dos atuais escândalos, gerados pela endêmica corrupção em todos os níveis.

O Novo Testamento mostra João Batista, com palavra forte e corajosa, respondendo às diversas classes de pessoas: “As multidões lhe perguntavam: Que devemos fazer? João respondia: Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo! Até alguns publicanos foram para o batismo e perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Ele respondeu: Não cobreis nada mais do que foi estabelecido. Alguns soldados também lhe perguntaram: E nós, que devemos fazer? João respondeu: Não maltrateis a ninguém; não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc 3, 10-14). São textos de ontem com força de hoje!

Preparar os caminhos para o Senhor significa ter uma vida coerente, deixando rastros que possam ser percorridos por aquele que vem, salvador e libertador, pedindo a graça de que Deus não tenha de que envergonhar dos filhos a quem confiou esta terra. Quer dizer ainda olhar ao nosso redor e valorizar o bem que é feito, identificando os valores do Reino de Deus, quais sejam a verdade, a justiça, o amor e a construção da Paz. A Igreja no Brasil proclamou o ano de dois mil e quinze como o “Ano da Paz”, multiplicando iniciativas de formação e ação em vista da superação da onda de violência que a todos assusta. E dentro de poucos meses acontecerá a Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir” (Mc 10, 45). Ninguém fique de fora do ingente esforço da preparação das estradas para o Senhor!

Dom Alberto Taveira Corrêa,  arcebispo de Belém do Pará, assessor Eclesiástico da RCCBRASIL

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