Semana Santa

Depois de quarenta dias de caminhada quaresmal, chegamos a Semana Santa. Durante esses dias fazemos memória à paixão, morte e ressureição de Jesus, começando com sua entrada triunfal em Jerusalém, cujo momento revivemos no Domingo de Ramos e caminhamos até Páscoa da Ressureição, onde Jesus derrota a morte e nos resgata das situações de pecado em que vivíamos. O silêncio que somos convidados a fazer nesses dias não são de tristeza e dor, mas sim de reflexão, oração, penitência, reconhecimento de nossos pecados, conversão dos nossos corações e também de gratidão a Deus por todo seu amor derramado por cada um de nós através de seu preciosíssimo sangue na Cruz.

O Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa, tem esse nome porque o povo cortou ramos de árvores, e folhas de palmeiras para aclamar o Senhor que entra na cidade montado em um jumentinho, o símbolo da humildade. “Hosana ao Filho de Davi: bendito o que vem em nome do Senhor; Hosana nas alturas”, assim aclamava o povo quando Jesus entra em Jerusalém, entretanto, aquela mesma multidão que o homenageou, motivada por seus milagres, é a que depois grita crucifica- O. Jesus que conhece o coração do homem não estava iludido quando fora aclamado.

Os Ramos que levamos na procissão no domingo nos recordam que somos batizados, membros do Corpo de Cristo, participantes da Igreja e que temos obrigação defender a fé católica, sobretudo nesses tempos difíceis onde ela é tão desvalorizada. É costume dos fiéis também levar os ramos abençoados para casa após a Missa, esse gesto representa nossa união com Cristo pela nossa salvação e pela salvação do mundo inteiro, nossa luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

Na Quinta Feira Santa a Igreja celebra a Instituição do Sacerdócio, a Instituição da Eucaristia, revive também a grande lição de humildade e serviço ao próximo que Deus nos dá através do gesto de lavar os pés dos discípulos. Esses momentos são todos revividos na Missa da Ceia do Senhor.

O ponto mais forte da Quinta feira Santa é o momento da Instituição da Eucaristia, o maior de todos os Sacramentos, o Sacramento do amor. Antes de se oferecer na Cruz, Jesus se ofereceu sacramentalmente na última ceia: “Isto é o meu corpo que é dado por vós, Este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança que será derramado por vós. Fazei Isso em memória de mim”. (Lc 22,19-20), com estas palavras Jesus nos doa então, seu Corpo e seu Sangue como nosso alimento diário. A cada Santa Missa temos a graça de receber seu santo Corpo que nos cura, liberta e fortalece na nossa caminhada de fé e nos mantém firmes em Deus. Ao instituir a Eucaristia Jesus institui também o Sacerdócio. O sacerdote ordenado é aquele que faz às vezes de Cristo, que é o Sacerdote por excelência, cabeça da Igreja. O sacerdócio existe para o bem do Povo de Deus, para a pregação da Palavra, para o governo da Igreja, para a celebração dos sacramentos, especialmente a Eucaristia.

Outro momento marcante da Quinta Feira Santa é o momento do lava pés. Ao lavar os pés dos discípulos Jesus quer demonstrar seu amor por cada um de nós e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de sua mensagem. “Eu vim para servir”. Lavar os pés era um trabalho feito por escravos, que lavavam os pés de seus senhores e daqueles que chegavam de viagem. Jesus quebra esse paradigma e mostra-se servidor de todos.

Chegamos então à sexta Feira Santa, sendo esse o único dia do ano que não temos Missa, mas sim uma Celebração que ocorre as 15h. Os momentos vividos nessa celebração formam o Memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor e memorial não é apenas fazer memória, lembrar, é verdadeiramente celebrar junto, atualizar a Salvação que Deus realizou. Tudo é solene e simbólico nessa Celebração, cada palavra, cada silêncio, cada gesto. O Altar está sem vela, sem toalha, sem nem um adorno, a procissão de entrada é silenciosa, não há música nem palavras. Os ministros da Celebração se prostram no chão em frente ao Altar, enquanto a comunidade se ajoelha. É a imagem da humanidade rebaixada e oprimida, e ao mesmo tempo penitente que implora perdão por seus pecados. As vestes sacerdotais são vermelhas, cor do Sangue, do Martírio. Outro momento forte dessa desta Celebração é a Adoração a Santa Cruz que é apresentada Solenemente a comunidade com as palavras “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Ó vinde adoremos”. Em seguida a comunidade se aproxima, calmamente, para fazer sua veneração pessoal.

O Sábado Santo antecede as comemorações do domingo da Ressurreição de Jesus. Durante o dia, a Igreja permanece silenciosa meditando ante o sepulcro vazio e esperando a Ressurreição. Ao anoitecer, a Vigília Pascal inicia com a Liturgia da Luz, que começa com as luzes da igreja apagadas e a reunião dos fiéis. Abençoa-se o fogo, símbolo do esplendor do Ressuscitado. Prepara-se o círio pascal, vela em que o celebrante marca uma cruz e as letras Alfa e Ômega, que representam Cristo, Princípio e Fim de tudo e de todos. A vela prossegue pela igreja e todos acendem velas menores no Círio Pascal, representando a “Luz de Cristo” se espalhando por todos. A escuridão diminui. O “Aleluia” é cantado de forma solene, pois não se entoava desde o início da Quaresma.

E finalmente chegamos ao Domingo de Páscoa, dia da Ressureição do Senhor, dia em que a o Sepulcro foi encontrado vazio, dia que a morte vence a vida, a Salvação vence o pecado. Após todo o caminho de dor até a Cruz a vida triunfa. A ressureição de Cristo, além de ser o marco da nossa fé, vem nos ensinar que antes da vitória é preciso trilhar o caminho da dor, da Cruz. Nossa vida é permeada de momentos difíceis, cada um de nós tem uma Cruz a carregar, um calvário a trilhar, mas não estamos sozinhos, Cristo vai a nossa frente e nos ensina que não termina no Calvário. “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (João 16, 33).

Alzira A. Silvério, G O J Água Viva

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