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Monique, uma jovem de 15 anos, estava namorando Alex, da mesma idade. Certa dia, namoravam pelo celular e a conversa esquentou. Ele lhe fez um pedido inusitado: que ela tirasse uma foto ou fizesse um vídeo, ali mesmo, nua, com poses sensuais, e enviasse a gravação para ele via telefone móvel, tipo SMS. De início, a adolescente rejeitou a proposta, mas o jovem insistiu e afirmou que estava com saudade e que a foto ficaria só com ele. Como ela estava apaixonada, cedeu aos seus apelos e, na intimidade do seu quarto, fez um miniensaio erótico e o enviou pelo celular.

Monique – no fervor e na inocência dos seus 15 anos – só não contava que, em apenas um mês, Alex terminaria o namoro com ela, e o pior: que o seu “ensaio sensual”, feito ali no seu quarto, estaria girando em todos os celulares e redes sociais na internet. Desesperada, a jovem só viu uma saída para fugir da vergonha e da gozação da galera na escola: conseguiu um grande número de comprimidos e, no mesmo quarto em que fez as imagens, cometeu suicídio.

Os nomes são fictícios, mas a história é real. Aconteceu com uma jovem nos Estados Unidos depois de ter tido suas imagens sensuais expostas na rede mundial de computadores. O que esses dois jovens praticaram está se tornando uma febre entre os jovens, o chamado “sexting”.

O nome deriva da junção de dois radicais oriundos da palavras “sex” (sexo) e “ting” (sufixo de “texting” = texto), o que origina o nome dessa prática: “sexo por mensagens”. Isso mesmo, o jovem tira uma foto erótica ou faz um vídeo de alguma parte do corpo – como órgãos genitais, seios ou faz poses mais sensuais – e a envia para alguns grupos de contatos via telefone móvel. Logo, a imagem começa a circular numa velocidade incontrolável pela web juntamente com as consequências de tais comportamentos.

Atrás dessa exposição estão escondidos perigos incalculáveis e incontroláveis que, a curto prazo, destroem a vida de uma pessoa. Um adulto, por exemplo, que adere a esse tipo de relacionamento, além de cometer um crime, pode ter sua carreira profissional abalada, já que, hoje, empresas de recrutamento usam cada vez mais a internet para ver o perfil de seus colaboradores.

O fenômeno WatsApp 

A mais nova plataforma de compartilhamento de mensagens instantânea se chama WatsApp, um aplicativo para dispositivos móveis que permite compartilhar textos, fotos e vídeos com milhares de pessoas num espantoso efeito cascata, e que tem levantado polêmicas sobre os limites da intimidade compartilhada. Há quem diga, inclusive, que este aplicativo – que conta com mais de 350 milhões de usuários em todo o mundo – já virou um armazém de pornografia. As vítimas? 90% de mulheres expostas em grupos de amigos, escolas, trabalho, futebol etc.

Dois casos dessa superexposição abalou o Brasil nos últimos tempos. Uma jovem de Goiânia (GO), que filmou a relação sexual com seu amante e teve o conteúdo vazado via WatsApp; e uma jovem do Piauí (PI), que cometeu suicídio depois que teve seu vídeo erótico compartilhado pelo mesmo aplicativo. Para além da nossa avaliação moral sobre o caso, é importante notar que existe uma geração que avança à velocidade da comunicação da mesma forma que pede socorro, porque não sabe lidar com o vazio existencial cada vez mais compartilhado.

Em 2009, uma pesquisa realizada nos EUA constatou que 20% dos adolescentes americanos diziam ter enviado ou recebido fotos eróticas pelo celular, e 39% alegaram ter recebido ou enviado mensagens sexualmente sugestivas. No Brasil, a ONG Safernet informou que cerca de 11% dos estudantes brasileiros, entre 15 e 18 anos, já praticaram o “sexting”, compartilhamento de imagens íntimas ou sensuais em ambientes virtuais. Mas com a explosão dos dispositivos móveis, como os smartphones e aplicativos como WatsApp, este número já deve ter aumentado muito.

Para a especialista em Marketing Digital Martha Gabriel chegamos num tempo em que tão importante quanto falar de inclusão digital é preciso falar de educação digital. “Muito se fala no Brasil de inclusão digital, mas pouco se fala de educação digital. Se nós incluirmos sem educar, vamos colocar uma arma nas mãos das pessoas contra elas mesmas”, diz a especialista.

Responsabilidade dos pais 

Segundo Sônia Makaron, psicanalista e elaboradora de uma cartilha de segurança na rede para pais e jovens, a atenção e o diálogo com os filhos ainda é a melhor forma de evitar danos futuros. “Estar atento sempre. Mas isso não quer dizer patrulhamento. Estar atento é a expressão de quem se importa, de quem cuida. Ser presente, conversar com seu filho, procurar saber o que lhe interessa na internet e fora dela. E ‘ficar ligado’ para tomar providências quando perceber sinais ‘estranhos’ e diferentes no comportamento dele”, aconselha a profissional.

“sexting” é a prova de que a combinação tecnologia + explosão de hormônios pode ser = a má reputação digital e, é claro, ao deboche social. E numa geração que já não consegue lidar com frustrações, fica a pergunta: onde vamos parar com isso tudo?

Por Daniel Machado
produtor do Destrave

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