Lendo o livro “Quem me roubou de mim?” escrito pelo padre Fábio de Melo, deparei-me com a realidade a qual estamos inseridos: o mundo rouba a cada dia nossa identidade. O mundo exige de nós atitudes enquadradas num padrão global. O mundo nos seqüestra e rouba aquilo que nos é mais precioso: nosso eu.
Quando uma pessoa nega aquilo que é seu, que é próprio de suas características ela fica fragilizada, chegando muitas vezes a perder o sentido de sua existência. É como se retirássemos os alicerces de um prédio em construção esperando que este continuasse em pé. Falo aqui não apenas de características positivas, mas até mesmo os nossos defeitos podem dar sustentação a nossa vida.
Mas o que dá sustentação a nossa existência? Essa é uma pergunta que nunca terá uma resposta definitiva, uma charada que nunca será solucionada. Nossa vida é um ato constante de descoberta. Todos os dias experênciamos coisas que permitem que possamos descobrir o que nos enriquece e o que nos incomoda. E é nesse momento que a tendência à padronização das pessoas pode ser extremamente prejudicial.
Quando uma pessoa reflete sobre aquilo que ela é, sobre aquilo que a constitui, buscar encaixar-se em padrões pré-estabelecidos pode ser fatal. A pessoa entra em um processo de extrema fragilidade, abre-se verdadeiramente para conhecer-se e o que será dela se não se enquadrar nesse ou naquele quesito?
Isso pode ser ainda mais prejudicial tratando-se de jovens em processo de formação do ser. Quando somos jovens esperamos e desejamos ser aceitos pelos outros. Não é raro encontrar meninas e rapazes que mudam o jeito de vestir-se, de andar, deixam de lado princípios aprendidos em casa, para se adequar aquilo, que o grupo a qual pertencem, vê como ideal e como correto.
Não ser aceita nos machuca e magoa. Ao contrário, quando somos aceitos incondicionalmente, fortalecemos em nós aquilo que é bom, e aos poucos, num movimento espontâneo e livre, percebemos o que está errado e mudamos de atitudes.   
O mundo já exige tanto de nós, nos machuca tanto… não é? Em contra partida Deus não deseja isso para seus filhos.
Não podemos estipular conceitos e regras e tentar enquadrar as pessoas neles. Devemos nos espelhar nas atitudes de Jesus. Podemos encontrar inúmeras passagens na bíblia que mostram que Ele amou de maneira muito especial aqueles que não se encaixavam no padrão da sociedade vigente, amou-os de forma especial. Desejou estar com eles. Nós, como jovens de Deus, jovens que buscamos fazer a diferença, podemos começar a trilhar nosso caminho para o céu aprendendo a respeitar e aceitar o diferente. Mesmo que muitas atitudes possam nos escandalizar e divergir daquilo que é esperado de um jovem cristão, devemos AMAR o outro e nesse movimento de amar sem impor condições ajudaremos estes jovens a construir novos alicerces e promoveremos mudanças em suas vidas. Mudanças sutis, demoradas, mas duradouras!

 

Elizangela Catani

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